Escolher uma raça
Calma, rústica, boa poedeira, ovos coloridos: nossas respostas para escolher a raça de galinha adequada ao seu terreno e às suas expectativas.
29 perguntas
Cada um tem sua opinião, e é muito bom que seja assim. A Galinha sedosa barbuda continua sendo a mais atípica e a mais procurada — sua plumagem sem bárbulas, sua pele preta e seus cinco dedos não se parecem com mais nada. Mas a Paduana grande com seu topete, a Sebright com seu debrum ou a Yokohama com sua cauda interminável têm, cada uma, seus admiradores fiéis. O mais honesto é olhar as fotos raça por raça e se deixar fisgar.
Em nosso catálogo, as raças classificadas como gigantes são Brahma, Cochinchina, Orpington. Os pesos das aves adultas indicados em suas fichas vêm do padrão da raça, e não de uma pesagem feita em nosso plantel. São galinhas calmas e pouco voadoras, portanto fáceis de conter, mas exigem espaço, um poleiro baixo e uma cama bem cuidada: seu peso as torna sensíveis às aterrissagens e aos solos úmidos.
As anãs verdadeiras, que nosso catálogo classifica como “mini”: Combatente inglês moderno anão, Sebright. Os pesos que constam em suas fichas vêm do padrão da raça, e não de uma pesagem interna. Elas são perfeitamente adequadas a espaços pequenos, mas atenção: pequena não quer dizer tranquila; várias dessas raças são ativas e boas voadoras. Observe a altura de voo tanto quanto o tamanho.
As raças classificadas com 1 m de altura de voo, o mínimo da nossa escala, são Cochinchina, Galinha sedosa barbuda, Galinha sedosa de cabeça branca. Elas se contentam com uma cerca baixa e não tentam passar por cima. Em seguida vêm as raças pesadas e calçadas, com 1,50 m. A altura de voo é indicada em cada ficha e o catálogo pode ser filtrado por ela: é o critério mais útil se o seu quintal não tiver cercamento alto.
As raças que ultrapassam os 2 m são, até o momento, Araucana, Barnevelder, Bielefelder, Combatente inglês moderno anão, Holandesa Topetuda anã, Olive egger. Para essas, providencie uma cerca alta ou um viveiro — uma simples cerca baixa não vai segurá-las. O porte não é um bom indicador: essa lista mistura raças grandes e anãs. Guie-se pela altura de voo indicada na ficha, e não pela silhueta.
As raças antigas, pouco direcionadas à produção intensiva, são geralmente as mais rústicas: elas se adaptam a condições variadas e exigem poucos cuidados. A Marans, a Sussex e a Faverolles Alemã GR estão entre elas. Cuidado, porém, com uma ideia preconcebida: a rusticidade não dispensa um abrigo seco, nem proteção contra predadores, nem acompanhamento sanitário. Uma raça rústica mal alojada adoece como qualquer outra.
Diante do frio, o que conta é menos a raça do que a crista e a densidade da plumagem. Uma crista pequena congela muito menos do que uma crista simples grande, e uma plumagem densa isola melhor. As raças pesadas e bem emplumadas — Brahma, Cochinchina, Orpington, Wyandotte grande — passam o inverno sem dificuldade. Aliás, o verdadeiro inimigo não é o frio seco, mas a umidade combinada com as correntes de ar: um galinheiro bem ventilado, mas sem correntes de ar, faz mais do que um aquecedor.
As raças leves e de plumagem menos densa geralmente suportam melhor o calor. Por outro lado, nossas raças gigantes de plumagem volumosa — Brahma, Cochinchina, Orpington — são as que têm mais dificuldade nos períodos de calor intenso. Costuma-se afirmar que a crista e as barbelas funcionam como radiadores: não constatamos isso claramente em nossos lotes. Qualquer que seja a raça, o essencial está no manejo: sombra permanente — uma árvore resolve muito bem — e água fresca ao alcance. Uma galinha ofega de bico aberto e asas afastadas bem antes de estar em perigo.
A raridade varia de uma região para outra e de um ano para outro, e muda rapidamente: uma raça pouco difundida pode voltar a ser comum em poucas temporadas se dois ou três criadores se dedicarem a ela seriamente, e o inverso é igualmente verdadeiro. Aliás, esse é um dos desafios do trabalho de seleção: manter linhagens que mais ninguém conserva. Nossa oferta de raças evolui a cada temporada — o catálogo apresenta sua composição atualizada.
As raças populares são encontradas em toda parte, e é justamente aí que é preciso olhar duas vezes: sob um mesmo nome de raça, a diferença entre as aves pode ser considerável. Quando uma linhagem inteira é passível de desclassificação em exposição, fica difícil afirmar que ela ainda pertence à raça. Observe a conformidade com o padrão e os resultados do plantel antes de olhar a disponibilidade.
A longevidade depende muito mais dos cuidados do que da raça: em boas condições, conte com 8 a 12 anos, com recordes que passam dos 15 anos. Alimentação adequada, galinheiro seco, proteção contra predadores e acompanhamento sanitário pesam mais do que o nome que consta na ficha. Vale ter em mente: uma galinha ainda vive por muito tempo depois que sua postura deixa de ser boa. Para muitos criadores, ela é uma companheira tanto quanto uma poedeira — cabe a cada um saber o que espera dela antes de começar.
As raças classificadas como muito calmas em nosso catálogo são, atualmente, Brahma, Faverolles Alemã GR, Galinha sedosa barbuda, Galinha sedosa de cabeça branca, Orpington: são aquelas que vêm por conta própria até o criador e se deixam manusear sem estresse. Mas a sociabilidade depende, na mesma medida, da forma como as galinhas foram criadas: pintinhos acostumados cedo à presença humana continuam mansos por toda a vida, qualquer que seja a raça.
Nenhuma galinha é realmente silenciosa — o cacarejo após a postura faz parte do pacote, e as raças calmas são simplesmente as mais discretas. No caso do galo, dois fatores contam muito mais do que a raça: o número, pois vários galos que conseguem se ouvir respondem uns aos outros sem parar, e o tamanho, que resulta em um canto agudo em uma ave pequena e grave em uma grande. Um único galo de raça grande muitas vezes incomoda menos do que dois pequenos.
Parta das restrições, e não da paixão à primeira vista. Terreno pequeno ou com cercamento baixo: dê preferência a uma altura de voo baixa e a um porte modesto — em nosso plantel, as raças que voam menos são Cochinchina, Galinha sedosa barbuda, Galinha sedosa de cabeça branca. Piquete amplo e gramado: as raças ativas e rústicas ficam à vontade nele e serão úteis a você ao ciscar. Solo pesado e úmido: evite as raças de patas emplumadas, cuja plumagem dos tarsos fica carregada de barro. O catálogo pode ser filtrado por tamanho, porte e altura de voo.
É o meio-termo mais comum, e ele se resolve bem: em vez de procurar uma raça que seja excelente em tudo, combine dois critérios em nosso catálogo. Filtre primeiro pela cor do ovo ou pela aparência de que você gosta e depois compare a postura das raças escolhidas. Uma galinha bonita que põe ovos de forma satisfatória vale mais do que uma campeã de que você não gosta — você vai olhar para ela todos os dias.
Porque você está comprando o que existe por trás da ave, e não apenas a ave. Uma linhagem monitorada traz previsibilidade: conformidade com o padrão, saúde, fertilidade, comportamento — você sabe como serão os pintinhos dela. Por outro lado, uma ave sem origem conhecida pode ser encantadora e não transmitir nada. Esse critério pouco importa se você quer três galinhas para o quintal; ele se torna decisivo a partir do momento em que você deseja reproduzir suas aves.
Várias raças têm penas nos tarsos: é uma característica prevista no padrão, mas a mesma menção abrange realidades muito diferentes — desde algumas penas discretas até um empenamento abundante que desce até os dedos. É essa extensão que se deve observar, e não apenas a presença. Quanto mais farto o empenamento, mais ele fica carregado de barro em solo úmido e congela no inverno: piquete drenado e cama seca se tornam indispensáveis. Uma constatação em nosso catálogo: nenhuma das nossas raças que mais voam tem penas nas patas.
O topete é uma característica prevista no padrão, com forma e volume descritos raça por raça — e a diferença é considerável, desde o topete pequeno que não esconde nada até o topete volumoso que cobre os olhos. Um topete que atrapalha a visão torna a galinha mais fácil de surpreender e, portanto, mais assustadiça; ele também fica molhado quando chove e se mostra mais suscetível a piolhos. Um gesto simples resolve a maior parte dos problemas: aparar levemente as penas ao redor dos olhos, em especial por ocasião de uma mudança de ambiente.
A barba, ou suíças, designa as penas que emolduram a face abaixo do bico. É uma característica prevista no padrão de várias raças, muitas vezes associada ao topete. Ela confere uma silhueta muito reconhecível e praticamente não tem impacto na criação, a não ser pelo fato de a barba se molhar e se sujar no bebedouro. Um bebedouro tipo sifão limita bastante o problema em comparação com uma simples vasilha de água aberta.
Existem muitas formas de crista, todas descritas no padrão: simples, rosa, em taça, ervilha, em chifres, frisada. Não é apenas uma questão de aparência: uma crista simples grande é bem mais exposta ao congelamento do que uma crista pequena, o que faz diferença em clima frio. Também se atribui a ela um papel na dissipação do calor, mas não constatamos isso claramente em nossos lotes — preferimos dizê-lo a repetir uma ideia preconcebida.
É uma característica genética rara, em que a pigmentação atinge a pele, os tarsos e até os ossos. Ela muitas vezes vem acompanhada de uma plumagem inteiramente preta. É uma característica prevista no padrão, espetacular e muito procurada, sem a menor influência sobre a saúde ou a postura. A carne também é escura, o que sempre surpreende na primeira vez.
A cor dos tarsos faz parte do padrão de cada raça, assim como a plumagem: branca, amarela, ardósia, preta ou esverdeada, conforme o caso. É um ponto que os juízes examinam de perto, pois uma cor fora do padrão constitui um defeito, às vezes eliminatório. Para um criador amador, é sobretudo uma referência útil para verificar se uma ave corresponde de fato à sua raça.
A posição e o comprimento da cauda variam enormemente de uma raça para outra, e isso consta no padrão: cauda erguida ou baixa, muito farta, reduzida ou até mesmo ausente. Um ponto prático que vale a pena conhecer: uma cauda muito abundante ou muito longa pode atrapalhar o acasalamento e reduzir a fertilidade — é uma das razões pelas quais certas raças exigem mais atenção na reprodução.
A maioria das galinhas tem quatro; algumas raças têm cinco, sendo o quinto um dedo adicional implantado acima dos outros. É uma característica prevista no padrão, exigida nas raças em questão: sua ausência ou malformação constitui um defeito em exposição. Isso não tem nenhuma consequência para a vida da ave.
Em algumas raças, o uropígio — o suporte das penas da cauda — não se desenvolve. É uma característica fixada e descrita no padrão, e não uma malformação. Muitas vezes se lê que essa particularidade dificulta a fecundação; nossos registros não confirmam isso, já que a raça em questão, em nosso catálogo, mantém excelentes taxas de fertilidade. É um bom exemplo de ideia preconcebida que dados medidos permitem tirar a limpo.
Perguntas relacionadas
Uma anã verdadeira é uma raça que só existe em formato pequeno, sem equivalente em raça grande. Uma raça anã dita “comum” é a versão reduzida de uma raça grande, obtida por seleção, e que deve reproduzir fielmente o tipo dela em escala reduzida. Nosso catálogo distingue o tamanho e o porte: os dois critérios não dizem a mesma coisa, e confundi-los muitas vezes leva a escolher a ave errada.
Perguntas relacionadas
Sobre seu comportamento ou sua postura, nenhuma. Sobre sua visibilidade, sim: uma ave clara é avistada de longe por um predador; uma ave escura passa mais despercebida em um piquete arborizado. Na seleção, por outro lado, a cor é um trabalho por si só — cada variedade tem sua própria descrição no padrão, e obter uma cor uniforme e nítida exige gerações.
Perguntas relacionadas
Nenhuma aparência basta para garantir isso, e a anilha também não: ela atesta o ano de nascimento e continua sendo um ponto positivo, mas é obtida sem dificuldade e não prova, por si só, a pureza de uma ave. O critério que conta é a exposição: procure criadores que expõem suas aves, melhor ainda se tiverem títulos de campeão, pois esse é o único julgamento externo e imparcial sobre uma linhagem. Você também pode comprar em uma exposição avícola, já que, nesse caso, a ave terá sido julgada. Uma nuance que vale a pena conhecer: reprodutores campeões não produzem apenas campeões, e, em algumas raças, é preciso criar muitos pintinhos para obter uma única ave com qualidade para campeonato.
A conformidade descreve um indivíduo em um dado momento: aquela ave específica corresponde ao padrão da sua raça. A seleção descreve o que existe por trás dela, ou seja, várias gerações monitoradas, nas quais os reprodutores foram selecionados e os demais, descartados. Na prática, uma galinha conforme pode nascer por acaso em uma linhagem que não o é: ela será bonita e não transmitirá grande coisa. Uma galinha proveniente de uma seleção contínua transmite, em média, o que foi trabalhado — conformidade, mas também saúde, fertilidade, comportamento. É a diferença entre comprar um resultado e comprar um ponto de partida.
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